Meditemos Nisso

Publicado em   por IDE em 11 de junho de 2009

Nós, trabalhadores da seara espírita, devemos meditar profundamente sobre as exigências a que se devem submeter aqueles que, ao serem transferidos para o Mundo Espiritual, pretendem continuar suas tarefas. Aqui, em nome da tolerância, da fraternidade, e, até mesmo da pieguice, aceitam-se trabalhadores que têm pouca noção de responsabilidade. Há muitas pessoas que não têm coragem para abandonar de vez a tarefa, mas também não a têm para se esforçarem, no sentido de se capacitarem cada vez mais. Enganam-se a si próprios que estão trabalhando…

No livro “Os Mensageiros”, temos algumas situações vivenciadas por André Luiz, quando candida-tou-se ao trabalho na equipe do instrutor Aniceto e este passa-lhe algumas noções do regulamento.

Aniceto, o instrutor espiritual, revela-se, ao longo da obra, como Espírito que alia bondade imensa, a conhecimento profundo. Trata-se de verdadeiro modelo de virtudes, entre as quais se destaca a disciplina, tanto para si, quanto para aqueles que trabalham com ele. Aqui na Terra, se chefiando alguma equipe de trabalhadores da seara espírita, não seria difícil ser tachado de …

André Luiz registra, nos capítulos 2 e 3, algumas recomendações dele aos candidatos. Nos capítulos de 9 a 12, temos o relato de vários Espíritos que, embora bem preparados antes da encarnação, falharam no desempenho das tarefas a que se propuseram, talvez porque não tenham tido os alertamentos que temos agora!

Eis alguns tópicos dos capítulos 2 e 3:
Nosso serviço é variado e rigoroso. O departamento de trabalho, afeto à nossa responsabilidade, aceita somente os cooperadores interessados na descoberta da felicidade de servir. Comprometemo-nos, mutuamente, a calar toda espécie de reclamação. Ninguém exige expressão nominal nas obras úteis realizadas, e todos respondem por qualquer erro cometido. Achamo-nos, aqui, num curso de extinção das velhas vaidades pessoais, trazidas do mundo carnal. Dentro do mecanismo hierárquico de nossas obrigações, interessamo-nos tão somente pelo bem divino. Consideramos que toda possibilidade cons-trutiva vem de nosso Pai e esta convicção nos auxilia a esquecer as exigências descabidas de nossa per-sonalidade inferior.

Mais adiante, Tobias comenta a função do Centro de Mensageiros:
Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, ins-truções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros.

Saem milhares de mensageiros aptos para o serviço, mas são muito raros os que triunfam. Alguns conseguem execução parcial da tarefa, outros fracassam de todo. O serviço legítimo não é fantasia. É esforço sem o qual a obra não pode aparecer nem prevalecer.

Aqui na Terra, Aniceto dificilmente não seria tachado de “mandão”, ao expressar-se assim:
Esclareça ao novo candidato os nossos regulamentos e venham juntos para as instruções após o meio-dia.

André Luiz, que já assimilara as normas de trabalho, pondera:
Notei que o trabalho no Posto se desenvolvia em ambiente da mais bela camaradagem, não obs-tante o respeito natural às noções de hierarquia.

Diante do que acabamos de ver, podemos sentir-nos na posse de belíssima oportunidade de serviço no bem, porta a dentro da nossa própria individualidade. Animados desse entendimento de reforma íntima, aproveitemos as oportunidades que nos são concedidas, aqui na Terra, onde as exigências são menores. Se as aproveitarmos,  estaremos nos capacitando a integrar, no futuro, equipes de trabalho no Mundo Espiritu-al. Caso contrário, teremos – na melhor das hipóteses – longo período de reeducação espiritual antes de sermos admitidos no trabalho efetivo sob a égide de Jesus.