O Amor e o Tempo

Publicado em   por IDE em 22 de outubro de 2009

Não há amor tão robusto que chegue a ser velho, diziam os sábios da antiguidade. Você concorda? Se basearmos esse amor na paixão, eles, certamente, estavam cobertos de razão.

Segundo os gregos o amor tem quatro significados: Eros – sentimento baseado em atração sexual e desejo ardente. Storgé – afeição, especialmente com a família e entre seus membros. Philos – fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional e Ágape – do verbo agapaó, amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. É o amor da escolha deliberada. Jesus quando fala amor, usa a palavra ágape – um amor traduzido pelo comportamento e escolha, não baseado no sentimento.

De outro lado, o amor e a morte, por muito tempo, estiveram ligados. As grandes paixões relatadas na história da humanidade, geralmente, se transformavam em tragédias. Os amantes acreditavam que sem o amor não seria mais possível viver. Eram românticos e se perguntavam sobre o que seria o amor na vida perante a eternidade do amor na morte? E se matavam em nome desse amor.

Viver um grande amor é o sonho de todos nós, sem pensarmos sobre a responsabilidade que tal envolvimento gera. A passagem de Zaquel no Evangelho de Lucas mostra a dimensão dessa responsabilidade: “Eis que a metade dos meus bens, Senhor, dou aos pobres, e o que for que eu extorqui de qualquer um por meio de acusação falsa, eu restituo quatro vezes mais”. Referia-se Zaquel, a metade de seus bens o que tinha tirado como cobrador de impostos, mas a restituição em quatro vezes, era sobre os sentimentos que havia magoado ou pessoas que havia lesado no campo das emoções.

Na área dos sentimentos e das emoções as pessoas investem suas perspectivas em torno das promessas feitas, muitas vezes, de forma sutil e leviana. Disfarçadas através uma atitude mais gentil, um olhar, um sorriso, uma atenção, que despertam uma grande paixão ou expectativas de felicidade.

Emmanuel faz sério alerta quando diz O amor e o sexo plasmam responsabilidades naturais na consciência de cada um e ninguém lesa alguém nos tesouros afetivos, sem dolorosas reparações.

Por isso, a cada vez que nos aproximarmos de alguém que nossa atitude seja clara, positiva, sem dupla mensagem.

Declarações tais como “Eu te amo”, pouco valem sem as ações que a comprovem. O amor é o que o amor faz e esta é a correta interpretação de tão importante sentimento.

Temos muito, ainda, que caminhar para a devida compreensão deste amor que nos fala Jesus.

Explica-nos Lázaro, há entre nós indivíduos que, com o coração a transbordar de amor, despendem tesouros desse sentimento com animais, plantas e, até, com coisas materiais, cada um percorrendo seu próprio caminho. Uma das principais tarefas do amor é prestar atenção às pessoas.

E em todos, porém, o tempo é valioso instrumento e só através dele o amor se depura, diluindo as paixões dominadoras da nossa personalidade. Sob a ação do tempo desenvolvemos a sabedoria para compreender o amor e sua função maior.

E assim, por onde passarmos deixaremos nossos rastros de amor, fazendo ao próximo todo o bem que pudermos. Sem exigir nada em troca, fazer o bem pelo simples prazer do bem. Isso é amor!