Espiritismo, ecologia e colapso socioambiental


Sinuê Neckel Miguel

 

Aquecimento global, emergência climática, colapso socioambiental. Expressões que apontam para uma catástrofe de dimensão planetária – a maior já enfrentada pela humanidade. Ela não é apenas uma projeção longínqua: esta catástrofe já está em curso e numa velocidade assustadoramente superior a que se previa. Seus piores desenvolvimentos futuros vão se tornando cada vez mais próximos de se tornarem realidade.

 

Conquanto a ecologia e as preocupações ambientais tenham ganhado considerável terreno político, ainda estamos muito longe de uma generalizada e profunda compreensão totalizante do ser humano como parte integrante da natureza. Como resultado do empenho humano em dominar e explorar a natureza, associado a um modo de produção e reprodução da vida social intrinsicamente expansivo, centrado na incessante acumulação de capital, inauguramos a era do Antropoceno – ou, talvez mais precisamente, o Capitaloceno (por referência ao capitalismo).

 

Somos hoje uma força geológica, capaz de alterar radicalmente o atual equilíbrio do sistema Terra, degradando de modo generalizado ecossistemas, produzindo a sexta extinção massiva de espécies numa velocidade dramática e desencadeando uma radical mudança climática. As consequências para a própria humanidade anunciam-se assustadoramente catastróficas e, potencialmente, apocalípticas.

 

Os números devem abalar mesmo os mais insensíveis: 30% das espécies avaliadas estão em risco de extinção. Entre os invertebrados, 40% estão ameaçados, incluindo insetos polinizadores. Das 1.200 espécies de vertebrados polinizadores, aproximadamente 200 já estão no limite da extinção. Também os polinizadores invertebrados estão declinando rapidamente, sobretudo pelo uso de pesticidas na agricultura e pela destruição de seus habitats. Isso é particularmente alarmante, já que a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) estima que das 100 espécies de culturas que fornecem 90% da alimentação mundial, 71 são polinizadas pelas abelhas. Calcula-se que cerca de 5 bilhões de pessoas serão afetadas com as perdas do serviços naturais de polinização.

 

 

Já a mudança climática em curso agrava a extinção e ainda levanta outras gravíssimas ameaças à vida humana. Principalmente devido à crescente emissão e liberação de gases de efeito estufa (GEE) resultantes do gigantesco consumo de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) e do desmatamento em larga escala, rompemos a estabilidade climática do Holoceno. O aquecimento global causado pela intensificação do chamado “efeito estufa” desde a Revolução Industrial está em franca aceleração.

 

Hoje é preciso que cada um de nós compreenda que estamos no curso de um colapso socioambiental global. No centro deste colapso, está a crise climática, que deve ser entendida como a maior ameaça à existência humana em toda a história.

 

Diante disso, como o Espiritismo pode contribuir para que tenhamos a devida reação? Primeiramente, afastemos um pernicioso “fantasma” que por vezes nos ronda: a perspectiva da imortalidade espiritual pode dar ensejo a uma posição passiva, se mal compreendida. Certamente a crença em Deus e na justiça divina, associada à noção de espírito imortal, conforta e apazigua a humanidade sofredora. Não obstante, tal crença não nos autoriza de modo algum à passividade e à irresponsabilidade.

 

Busquemos então a potência maior da concepção espírita da existência. É belíssima e rica em consequências a ideia de que somos seres co-criadores do universo. De algum modo, participamos da natureza de Deus: tudo está conectado, o princípio material e o princípio espiritual, ambos divinamente originados, fecundados e guiados evolutivamente. Com essa visão cósmica, não podemos, sob nenhum pretexto, nos furtar às nossas responsabilidades. Precisamos parar de pensar em Deus como uma entidade absolutamente externa a nós, que pode intervir a qualquer momento para nos salvar das desgraças que nós mesmos produzimos.

 

 

Se estamos na iminência da maior catástrofe global da história humana na Terra, temos de assumir a nossa responsabilidade, individual e coletivamente, como co-criadores da nossa realidade, do nosso planeta e do nosso universo. Não podemos cruzar os braços, confortavelmente aguardando uma redentora intervenção divina ou, pior ainda, aguardando tranquilamente a destruição da civilização e de milhões de espécies, quiçá o fim da vida humana na Terra.

 

Primeiramente, a lei de amor nos orienta à criação de uma realidade própria à felicidade e não ao sofrimento. Isto implica em cuidar da nossa casa comum e prezar pela dignidade da vida humana e de toda a natureza, da qual fazemos parte. É exatamente isso que está sob ameaça. Vejamos algumas informações para compreendermos a magnitude desta ameaça.

 

O sofrimento resultante da catástrofe planetária que se anuncia recairá primeiramente e com maior violência sobre as pessoas mais pobres do orbe, muito vulneráveis sob diversos aspectos. Mas mesmo os mais ricos, nos países mais desenvolvidos, não poderão escapar ao cenário de barbárie que tenderá a se instalar com a concretização do colapso socioambiental. No limite, não restará praticamente região alguma habitável para seres humanos.

 

A emergência climática, produzida a partir do aumento médio da temperatura global, significa crescente aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos (furacões, tsunamis, incêndios, enchentes, secas, ondas de calor extremo etc.). Significa a acidificação dos oceanos, comprometendo boa parte da vida marinha. Significa a degradação e colapso de ecossistemas inteiros, por exemplo, a Amazônia – que de floresta tropical tornar-se-ia numa savana ou numa caatinga.

 

 

Para nós, humanos, esta catástrofe climática se traduz em crescente escassez de água e de alimentos. A partir de certo ponto, uma crise agrícola global vai gerar enorme insegurança alimentar, aumentando violentamente a desnutrição e a fome.

 

Por volta de 2050 a população do planeta já estará em cerca de 9 bilhões de pessoas, o que, junto a outros fatores, resultará num aumento de até 100% na demanda pela produção agrícola. Contudo, tragicamente, com secas mais intensas, frequentes e prolongadas, a agricultura sofrerá perdas cada vez mais graves. Muitos alimentos não poderão ser mais cultivados em determinadas regiões do planeta. De um modo geral, ao ultrapassarmos 3°C as perdas estimadas em culturas como trigo, milho, arroz e soja são de cerca de 30%. Estados Unidos, Brasil, a região sul da África e da Europa e o sudeste da Ásia estarão particularmente impactadas pelo aumento da gravidade das secas. Com um aquecimento global ainda mais pronunciado, as perdas ultrapassam 50% e vastas partes do globo tornam-se incapazes de sustentar suas populações.

 

Além disso, a qualidade nutricional de diversas culturas, como o arroz e o trigo, já está decrescendo devido à alta concentração de gás carbônico na atmosfera (o ganho em carboidrato nos grãos se dá à custa de nutrientes como proteína, zinco e ferro). A desnutrição, portanto, deverá se agravar. Acrescenta-se a isso a redução da vida marinha, devido principalmente à acidificação dos oceanos e à pesca excessiva, e a grave e crescente poluição dos rios – de onde advirá a escassez de peixes para consumo humano.

 

Mas a devastação não para por aí. Com o aumento do nível do mar resultante da expansão térmica e do derretimento das geleiras (o Ártico e a Groelândia estão derretendo em assustadora velocidade, e mesmo uma porção da Antártica, até pouco tempo considerada “a salvo”, já começou a derreter), a destruição das grandes cidades costeiras será crescente e cada vez mais difícil de conter com medidas de adaptação. Embora normalmente se projete um aumento de cerca de um metro até 2100, com um subsequente e lento aumento nos séculos vindouros (podendo chegar a 20 metros ou mais), não se descarta a possibilidade de uma aceleração desse processo, tornando inviável qualquer adaptação. De todo modo, cidades e populações mais pobres já sofrerão neste século, devido à falta de recursos para a adaptação. Bangladesh, um delta particularmente populoso e vulnerável, é o caso mais dramático.

 

 

Finalmente, mas não menos importante, ondas de calor extremo letal serão cada vez mais frequentes e duradouras. Regiões quentes e úmidas estarão especialmente ameaçadas, como é o caso da Índia e do norte do Brasil. Na falta de ambiente refrigerado, a morte torna-se inevitável com mais de uma hora de exposição ao calor extremo sob alta umidade.

 

Tudo isso arrastará populações inteiras a migrar em desespero pela sobrevivência. Com grande probabilidade, conflitos e guerras civis e interestatais explodirão em todo o planeta em razão desse cenário catastrófico. Os refugiados climáticos são estimados entre 200 milhões e um bilhão de pessoas até 2050, números que só aumentarão com as mais violentas condições climáticas que advirão nas décadas seguintes.

 

Diante de um quadro tão sinistro, seria de se esperar uma radical mobilização das autoridades para mudar o curso da história humana. Dramaticamente, contudo, governos e empresas têm respondido de um modo claramente insuficiente (e mesmo contrariamente) aos apelos da comunidade científica, de organizações da sociedade civil e do público em geral.

 

Isso é demonstrado pelo contínuo aumento das emissões e concentração de GEE, a despeito dos sucessivos acordos climáticos, como o celebrado Acordo de Paris de 2015. Entre 1990 e 2019 registrou-se um aumento de 60% das emissões de GEE. Desde o Acordo de Paris até agora o aumento foi de 4,7%. Entre 2017 e 2018 o aumento foi de 2,7% (o maior aumento desde 2010). Ou seja, ao invés de estarmos reduzindo as emissões, estamos aumentando, ano após ano, e em velocidade acelerada. Além disso, um terço dos países signatários do Acordo de Paris não o ratificaram, portanto não possuem nenhum compromisso com redução de emissões de GEE.

 

Já ultrapassamos 1°C de aumento da temperatura média global com relação à temperatura pré-industrial (15°C). De acordo com o 5º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, prosseguindo com o nível atual de emissões de GEE (53,4 Gt em 2016) atingiremos em 2100 um aquecimento médio global superficial entre 4,1°C e 4,8°C (aumento relativo à temperatura média global pré-industrial, de 15°C). Isso significaria que 40% da superfície habitada da Terra sofreria com secas intensas e metade das espécies conhecidas seriam extintas.

 

Ocorre que, mesmo que os países sigam a política atualmente definida para a redução das emissões, chegaremos a um aquecimento médio global de 3,5°C (3,1°C a 3,7°C) em 2100. Os países signatários do Acordo de Paris atualmente planejam atingir uma capacidade mundial energética a partir de fontes de energias renováveis de 3,2 TW até 2030, mas para ficarmos em 1,5°C seria preciso dobrar essa meta, atingindo uma capacidade de 7,7 TW a partir de energia renovável até 2030. Além disso, mesmo num voluntário movimento pela transição energética, é preciso considerar ainda que 27% das emissões globais industriais de GEE são muito difíceis de eliminar, por exemplo, para aviação, navegação, produção de cimento, de aço e de ferro, onde as fontes de energia renováveis não são capazes de substituir as fontes fósseis.

 

Então, até o momento, tudo indica que ultrapassaremos 3°C, o que já levaria as florestas tropicais ao colapso, convertendo-as em savanas ou caatingas, devido às secas e multiplicação de incêndios. E, sobretudo, 3°C elevará radicalmente a probabilidade de dispararmos mecanismos de retroalimentação incontroláveis na escalada da temperatura global, o que é potencialmente apocalíptico para a espécie humana.

 

Para realmente atingirmos a meta do Acordo de Paris (na verdade, para termos 67% de chance), de ficar abaixo de +2°C, idealmente não ultrapassando 1,5°C, precisamos cortar as emissões pela metade até 2030 e zerá-las até 2050. O que significa que o nível de concentração de CO2 na atmosfera deveria ficar abaixo de 405 ppm, sendo que em 2019 já atingimos a média de 411 ppm.

 

Já nestes próximos dez anos, portanto, teríamos de testemunhar uma dramática redução no uso de combustíveis fósseis e na emissão de GEE associados ao desmatamento.

 

Se tudo isso já não bastasse para despertar nosso senso de urgência, é preciso dizer que os relatórios do IPCC tendem a ser conservadores, isto é, excluem estudos, modelos e projeções que apontam para cenários ainda mais catastróficos. De fato, muitos resultados empíricos encontrados recentemente, por exemplo, sobre a velocidade do derretimento do Ártico ou sobre o degelo na Antártica (não esperado pela maioria dos cientistas), têm superado as previsões do IPCC.  Então, o futuro para o qual caminhamos será possivelmente ainda pior.

 

Em setembro desse ano, um grupo de cientistas franceses do CNRM (Météo-France-CNRS) divulgou dois novos modelos climáticos que seriam mais precisos dos que aqueles que vinham alimentando os relatórios do IPCC. Com esses novos modelos incorporados, no próximo relatório do IPCC a sair em 2022 poderemos ter a confirmação das novas projeções.

 

Elas indicam um aquecimento global de até 7°C em 2100, no cenário mais emissor de todos. Já no cenário baseado na trajetória atual, ultrapassaríamos 3°C em 2060, 4°C em 2080 e 5°C em 2100. Mesmo em caso de um progresso lento na redução das emissões ultrapassamos 3°C entre 2060 e 2080.

 

 

 

 

Com isso, muitos de nós, encarnados, já sofreremos severamente com o futuro catastrófico que se anuncia, se nada de radical for feito agora. Nossos filhos e netos sofrerão ainda mais, com o prosseguimento da trajetória de aquecimento. Para as futuras gerações, é cada vez mais provável que não haja mais civilização e, talvez, nem mais exista um mundo habitável para que possamos reencarnar.

 

Mas isso ainda não é tudo, os chamados climate tipping points, pontos críticos de inflexão irreversíveis na dinâmica do clima, constituem em seu conjunto (com efeitos cascata e de retroalimentação) o maior dos nossos temores, já que o colapso socioambiental fugiria completamente à possibilidade de controle, mitigação e adaptação humanas. Por exemplo, a Amazônia, que já está 17% desmatada, pode colapsar com 20% de desmatamento, o que pode se dar entre 15 e 30 anos (talvez até mesmo em 5 anos) dado o atual ritmo de sua destruição. Com isso, gigantescas quantidades de gás carbônico seriam liberadas, causando um aquecimento adicional na América de 0,7°C, inviabilizando as metas globais e tornando a nossa agricultura extremamente frágil, com a desestruturação do regime de chuvas da região. Já no norte do planeta, a principal ameaça é a “bomba de metano” (um gás de efeito estufa cerca de 30 vezes superior ao gás carbônico) representada pelo permafrost (solo permanentemente congelado, cobrindo 25% das terras do hemisfério Norte). Se este solo derreter rapidamente, o aquecimento global se tornará apocalíptico.

 

Então, se não nos cabe uma crença irresponsável numa intervenção divina externa a nós que viria a nos salvar, também não há razão alguma para restarmos passivos e confiantes em autoridades políticas, poderes financeiros e corporativos e em avanços tecnológicos “miraculosos”.

 

Não temos mais tempo para esperar pela boa vontade e pelo bom senso de quem concentra o poder de decidir sobre o destino da civilização, da humanidade e da vida no planeta Terra. Esta crise deve ser entendida como uma real emergência climática, com um potencial arrasador para a humanidade e boa parte das espécies que habitam a Terra.

 

 

Temos inúmeras iniciativas surgindo no mundo para responder à ameaça existencial: o Green New Deal nos EUA, as greves escolares (Fridays for Future) lideradas por Greta Thunberg ou ainda o movimento de desobediência civil Extinction Rebellion, surgido em 2018 na Inglaterra e bastante forte na Europa. No Brasil, urge nos organizarmos para nos unirmos ao mundo no enfrentamento da mais grave crise da história da humanidade. Para tanto, é preciso termos clareza quanto aos objetivos estratégicos.

 

Precisamos forçar uma radical transição energética, com a substituição dos combustíveis fósseis pelas fontes de energia renováveis e “limpas” (com menor impacto ambiental possível), como a energia solar e eólica. A generalizada eletrificação dos meios de transporte também é urgente, mas inviável nos atuais padrões de locomoção. O transporte individual automotivo precisa, tanto quanto possível, dar lugar ao transporte coletivo de massas e ao uso de bicicleta e assemelhados, o que exige uma completa reestruturação dos grandes centros urbanos. Para que tudo isso aconteça, dada a enorme resistência corporativa e governamental (intimamente imbricadas, inclusive em termos acionários), tudo indica que precisaremos de uma profunda democratização do processo produtivo global, sobretudo no que se refere às estratégicas decisões de investimento. Não podemos continuar reféns da enorme concentração de poder corporativo e financeiro, que retira de nós a capacidade de decidirmos sobre questões tão fundamentais, que colocam em questão nossa própria sobrevivência.

 

O desmatamento, por sua vez, não pode mais continuar. Além daquilo que cabe aos governos, temos nós, como consumidores, o poder de dar um basta à devastação das grandes florestas tropicais (que se encontram principalmente no Brasil, na República Democrática do Congo e na Indonésia). Para protegermos a Amazônia, devemos reduzir fortemente o consumo de carne bovina (80% da carne proveniente da Amazônia é consumida no Brasil), já a floresta tropical da Indonésia pode ser protegida pelo boicote ao consumo de produtos e alimentos industrializados que, para sua maciez e conservação, utilizam o óleo de palma associado ao desmatamento (gigantes multinacionais como a Pepsico, a Nestlé e a Unilever utilizam-no largamente pelo seu baixíssimo custo). Além disso, é preciso iniciar já uma gigantesca mobilização global para o reflorestamento, acrescentando 1,2 trilhões de novas árvores.

 

Finalmente, o consumismo precisa dar lugar a um modo de vida sóbrio e centrado nas relações geradoras de genuína felicidade; em outras palavras, precisamos de uma civilização do bem-viver. Primeiramente, por uma questão de limite físico dos recursos da Terra: mesmo contando com a transição energética, será impossível atender, nos atuais padrões de consumo dos mais ricos e das classes médias, a demanda por matérias primas essenciais como lítio, cobalto, prata, neodímio, cobre etc. Mas também, por uma razão mais essencial: a nossa própria felicidade. Precisamos reagir ao vazio existencial, que nos deprime, nos estressa e esgota nossas vidas num ciclo de trabalho excessivo e pouco significativo e de ausência de tempo para o que realmente importa. A irracionalidade da obsolescência programada (funcional à manutenção do modo de vida capitalista) – técnica e psicológica – precisa ser denunciada e enfrentada. Estamos doentes do corpo e da alma e a cura passa pela superação do desenfreado e insaciável consumo supérfluo de coisas materiais.

 

Como se vê, a crise climática e socioambiental é também uma oportunidade para despertarmos para a realidade essencial da vida, em seu sentido profundo, de amor e de felicidade em abundância.

 

Busquemos, portanto, mobilizar nossas melhores energias para fazer a mudança acontecer agora. Se a magnitude colossal da transformação exigida contrasta com a atual apatia e a desmobilização da grande maioria de nós, resultantes de inúmeros fatores sociais, políticos e psicológicos, talvez a esperança resida na potência de um verdadeiro despertar espiritual, de intensa conexão com nossa natureza divina. Líderes religiosos inspiradores, como o papa Francisco, apontam nessa direção. Mas todos nós teríamos de operar desde já, com urgência e intensidade sem precedentes, essa revolução em nós mesmos e na vida social à qual pertencemos. Fora dessa radicalidade, creio, não há salvação.

 

 

 

Algumas referências bibliográficas:

 

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